Publicado por: cachalote em: Outubro 20, 2007

Até que ponto vai à psicodelia? Mas antes: o que é a Psicodelia? Acredito que não tenha um significado engessado. Pra mim, psicodelia é uma emoção. Que poder variar entre a vontade de fazer xixi e o amor. Sim! Pode ser a adrenalina, a felicidade, a tristeza, raiva… E todas essas outras coisas que nos levam no ponto chave da vida: os batimentos cardíacos. Viver é o quê? Respirar? Pensar? Amar? Ar? Lar? Família? Tíbia? Biologia? Células? Átomos? Física? Eu também não sei. Mas queria saber. A resposta não está na psicodelia. E eu cansei de acreditar que está dentro de cada um. Sim tudo é relativo, mas ainda assim, para mim, isso é desculpa esfarrapada. Viver sem saber é viver? Quem sabe? Faria sentido, não faria? Afinal, estamos onde estamos.
Isso me perturba. A vocês não?
Estou agora num ringue de boxe. Estou olhando nos olhos do meu adversário, meu inimigo, a morte. Esquerda, direita, esquerda, direita. Preciso mover meus pés mais rapidamente. Ela se aproxima, abaixo, por pouco! Todos gritam, criticam, elogiam. Uma confusão. Nem eles sabem pra onde vão. Minha respiração é pesada. Fecho os olhos por um momento, sinto o suor deslizando pela testa. Um soco no estômago, vôo longe. Até as cordas do ringue. Tristeza. Caio, mas já me levanto. Respiro fundo. Dor. Esquerda, direita, esquerda, direita. Estou voltando. É agora. Um gancho, pego diretamente no fígado. Ela não me perturbará tão cedo. Jogo-me nas cordas do ringue, elas se esticam, saio do meu habitat. Felicidade. A desgraçada já está voltando. Sei que não consigo vencer este jogo. Eu sei. Vocês todos sabem. Mas nessa luta da vida, o que importa não é o final, porque todos já sabem dele. O que importa aqui são os golpes, os feitios do desafiador. Enquanto minha adversária, de capa preta e com uma foice batalha comigo durante 20, 30, 70 anos, todos fazem suas apostas, fofcam, me amam, me idolatram, me xingam, me odeiam. Cada um com sua opinião sobre a luta. E eu, como atriz principal dessa brutalidade de escolhas, erros e acertos, não posso dançar. Não no meu monólogo. Essa é a minha luta. E nela procuro sair do meu habitat. Procuro as elasticidades dos meus limites. Procuro a felicidade, assim com a tristeza, que também faz parte do jogo. A dor, o amor. Tudo faz parte. Respiro fundo. Olho para a multidão. Olhares que me sustentam e olhares que me desequilibram. Todos misturados. Cores, cheiros, lugares, pessoas. Todos nessa via láctea. E tudo junto. Isso é a psicodelia. É o material vivo, pulsante. Célula, cabelo, unha. Volto a me concentrar. Esquerda, direita, esquerda, direita.
À vocês, toda a psicodelia do mundo.