Publicado por: cachalote em: Maio 4, 2008
Às vezes sinto falta de coisas que nunca tive; Aquele irmão mais velho que te ensinasse a gostar de Beatles e Rolling Stones; uma avó que fizesse bolinhos de chuva numa tarde de inverno; crescer numa única vizinhança e ter os mesmos amigos desde o jardim de infância.
Mas cheguei muito perto disso tudo: eu mesma fui meu irmão mais velho, e também o mais novo, e me ensinei a gostar dos Beatles e dos Stones, e no aprendizado também conheci The Smiths, The Cure e muitas outras bandas delirantes. EU procuro a minha música; não tive avó e bolinhos de chuva, mas tenho dois avôs maravilhosos que me mostraram o mundo de vários ângulos e uma mãe que cozinha divinamente; eu não tenho os mesmos amigos desde o jardim de infância nem uma só rua na qual mora minha criancice, mas tenho amigos pelo mundo todo e boas lembranças espalhados por vários endereços.
Isso foi só um desabafo. Me desculpem, mas é que às vezes é difícil ser tão diferente. Nunca encontrei uma pessoa suficientemente parecida comigo. E do mesmo jeito que me orgulho disso, na outra moeda me desespero um pouquinho.
Entendam que passei o dia pensando por que registro, de uma forma ou de outra, aquilo que acontece comigo, se a vida dá sempre voltas e tudo se repete. Anoto tudo não somente pelo fato da minha memória, em especial, ser apenas um farfalhar da realidade. Desenho minha vida em cores e letras exatamente por que a vida dá voltas, mas sempre em degrades sutilmente diferenciados. E é isso que registro: o meu degrade.
Hoje em dia, justamente dez anos depois da “minha época”, os irmãos mais velhos discutem sobre sexo, as avós levam os netinhos ao fast food e as crianças nem brincam mais na rua, jogam vídeo-game ou on-line. Não estou dizendo que é ruim, digo exclusivamente que é diferente da minha infância e por isso, mais do que nunca, sinto falta daquilo que não tive. E é por isso que tento viver plenamente o dia de hoje. Carpe Diem a todos!
Jasmin Fish.
OBS.: Vou relatar aqui o que me aconteceu hoje e me ajudou a concluir algumas coisas. Na volta de uma visita à um amigo, que mora uns 30 km afastado de Domingos Martins – ES, interceptamos uma cobra esverdeada que havia sido atropelada por uma Kombi – que também passou por nós, em alta velocidade – ela estava agonizando. E como futura bióloga, senti muita pena. Mais perto dela, pude ver que aquela mesma cobrinha, antes de ser atropelada estava fazendo seu próprio lanchinho: um sapo! (ou pelo menos a parte restante dele, que não cheguei a ver). Claro que senti pena de ambos, do sapinho que morreu duas vezes e da cobrinha que foi atropelada por um motorista em potencial. Entretanto, sorri, rindo da vida, que realmente dá voltas.
doida, adorei a parte dos beatles e rolling stones! faltou irmao mais velho pero yo estoy aca =) haha lindo ne? ![]()
besos
Pouxa. Legal mesmo o post, filha.
E o dedinho tá aí, afinal, o que seria Letícia Paula. xD
Brincadeiras à parte, quem sabe quantas moscas (ou abelhas.) o sapo não matou?
auhauah. mas que drástico. xP
;*
Maio 5, 2008 às 12:58 am
Obrigado!
E falando de escrever bem hein? Cacilda, adorei o seu post! =]
“Anoto tudo não somente pelo fato da minha memória, em especial, ser apenas um farfalhar da realidade.”
Bem dito!