Publicado por: cachalote em: Junho 4, 2008
Pomposa em seu divã, assim falou Zarathustra à pequenina Alice:
– “Não, não. Esqueça tudo isso. Não adianta correr atrás do tempo, é psicológico.” –
Inquieta, Alice enxugou suas mãos suadas em seu avental branco, aquele mesmo, preso ao seu vestido azul-claro.
Então Zarathustra, ao perceber a inquietude, ergueu mais uma vez sua inebriante voz:
– “Calma, pequena. Acomoda-te em corpo e pensamento e vem comigo. Agora esquece todas as questões que te perturbam.” – Alice tentou o seu melhor – “Feche os olhos menina! Isso… Já está vendo?” – O timbre de sua voz era sério.
– “Vendo o que senhora?” – Disse um tanto hesitante.
– “Como vendo o quê? O Mundo, oras! E Senhora é a mãe!” –
– “Mas…” – Titubeava.
– “Não vê as estrelas?” – Disse ao apontar a Ursa Menor (que estava a tomar um café descafeinado com uma outra constelação qualquer) – “Também estou te vendo, Alice. Não fique assustada. Você jamais poderá entender o infinito, não sem conhecer o amor, mas também não tenha medo.” –
– “Está bem” – Respondeu um tanto reconfortada, diante daquela imensidão.
– “Não fale. Concentre-se no seu ser como minúscula luz, lutando para não se ofuscar no pretume da existência.” –
– “Saboreie as palavras e seus significados. Pense como cada palavra-chave, que te persegue, perde completamente o sentido no espaço. Neste espaço tão cheio… tão cheio de nada. Sinta cada sentimento, cada objeto e momento derretendo na sua mente como pedaços de chocolate. Agora deixe a sua versão de Alice se dissolver em meio às estrelas.” –
Alice se esvaía de matéria e se enchia de vácuo. Era o sentimento do iminente vazio. E ainda, sentia nas papilas gustativas o gosto jovial da primeira chuva, notava o aroma das gramíneas fustigarem-lhe os sentidos. Sentiu-se mais leve. E sua mente voou. Já em dimensões físicas, suas pupilas dilataram e tudo seguia um único ritmo. Do divã rufaram os tambores, e com eles seu coração.
Mas foi de silêncio o instante de equilíbrio. Naquele momento, Alice entendeu e fora compreendida. E o infinito que a humilhava, perante sua grandiosidade, que a implodia lentamente, não foi o suficiente para que ela cedesse.
Depois daquele silencioso equilíbrio sua bomba orgânica e o infinito entraram em uníssono. Participaram também daquela pequena orquestra um esqueleto bastante animado, um fígado, alguns delírios à parte e uma única mente. Batiam e espancavam numa melodia, uma que nunca havia ditado aquela dimensão até então.
E assim falou Zarathustra, tão sutil quanto uma mãe:
– “Isso meu bem, você conseguiu dar corda ao Universo!” –
Jasmin Fish
5 | cachalote
Junho 15, 2008 às 11:21 am
Seu IP define sua carinha
É sempre engracado quando as carinhas sao compatíveis com a pessoa que escreve :B
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Albeo tema de Design Disease
Junho 9, 2008 às 9:48 am
Só tenho uma coisa para dizer, Jasmin…
BRILHANTE!!!!!!!!!!!!
beijos da sua atrapalhada amiga virtual e colega de lápis
Deborah